Gostaram do título? Acharam sugestivo? E também familiar? Bem, familiar estou certa de que todos acharam, afinal de contas são substantivos utilizados em larga escala nos dias de hoje. Só não tenho muita certeza, se todos aqueles que lerem este artigo ainda se lembrarão do significado de cada um deles, mas estou totalmente certa de que todos sabem que os três termos se referem, a como algo ou alguém parece ser, ou seja, que todos estão ligados à apresentação, representação e aspecto. Mas como já diziam antigamente, “aquilo que abunda não prejudica”, e para isso acho que vale a pena fazermos um “refresh” de cada um deles:
ARQUÉTIPO OU FIGURA ARQUETÍPICA: É um modelo, um padrão, um protótipo, um exemplar de seres criados, que o psicólogo e psicanalista Carl Gustav Jung, definiu como sendo imagens psíquicas do inconsciente coletivo, e que são patrimônio comum a toda a humanidade, passível de acesso, para que se faça uma obra material e/ou intelectual. Bons exemplos de figuras arquetípicas são o anjo e o demônio. Qualquer pessoa a quem perguntarmos saberá dizer o que um anjo e um demônio, e apesar de nunca tê-los visto pessoalmente e materializados, (assim espero) poderá descrevê-los com detalhes, os quais sofrerão variações insignificantes, se comparadas com descrições fornecidas por outras pessoas, às quais se questionou o mesmo. Na campanha publicitária do perfume Ange ou Demon, de Givanchy, foi utilizada a cor banca na representação da figura arquetípica do anjo, que aparece simbolizando a delicadeza, a beleza e a doçura da mulher, contratando com a cor negra, na representação do arquétipo do demônio, o qual evoca a volúpia, a sensualidade e a luxúria dessa mesma mulher. Já a Maison Dior, investiu na figura arquetípica de uma Cinderela moderna e sensual na campanha de lançamento do perfume Midnight Poison, onde a bela figura enverga um vestido de baile num tom de azul profundo, ou seja, criou-se o contraste entre na fantasia e o sonho (Cinderela), com o mistério e a sensualidade (azul profundo do vestido com cauda e muitas camadas de tecidos sobrepostas, ombros nus, cabelo negro, pela muito clara e batom vermelho intenso). Confiram nos respectivos vídeos publicitários:http://www.youtube.com/watch?v=NPTswZP-Avc
http://www.youtube.com/watch?v=TRsEIiqSxoQ
ESTEREÓTIPO: é uma caracterização simbólica e esquemática de pessoas ou grupos, cujo comportamento se adaptas às expectativas e julgamentos sociais de rotina, quer dizer, é um conceito padronizado sobre pessoas, povos, raças, escolas de arte, ideologias “and so on”, que serve de base para a formação de preconceitos (pré + conceito = idéia previamente concebida, formada). Temos como exemplos comuns, os góticos, as Patricinhas e Mauricinhos, os Metaleiros, as Peruas (minha tribo), e por aí vai. ESTILO: Este é um conceito com um enorme leque de ramificações, muito abrangente mesmo, envolvendo inúmeras áreas de nossas vidas. Mas, como aqui nosso foco é moda, estética, etiqueta e afins, vou me ater ao significado de estilo, dentro de nossa área, ou seja, estilo é um conjunto de caracteres formais, estéticos de alguma coisa, o conjunto dos gostos, da maneira de ser de alguém, maneira pessoal de se vestir, de se pentear de se comportar e por esse rumo segue. Resumindo, é a qualidade de alguém ou de alguma coisa, que apresenta características estéticas originais, as quais culminam por se transformar em ponto de referência.
Uma mulher pode adotar o estilo clássico romântico, dentro do qual sua característica pessoal predominante, seja o uso de taillers em tons pastel, o que a coloca dentro do estereótipo das “socialites”, e traz a tona a figura arquetípica da mulher bem-sucedida e independente.
Viram só como é simples? Não existe antagonismo no entrelaçamento dos três conceitos, que dessa forma se tornam uma obra única dentro de uma mesma tribo. Assim sendo, tudo o que se cria em moda, já estava pré-moldado de forma abstrata no inconsciente coletivo, faltando apenas se acessado e materializado. Embora pareça absurdamente simples, é justamente nessa etapa, que dois quesitos que não podem ser comprados, vendidos, alugados ou emprestados, nem tão pouco aprendidos, são fundamentais: Criatividade e Bom Gosto (é bom ressaltar que existem peças criativas de mal gosto, mas até elas, demandam criatividade para sua concretização). Bagagem cultural também é muito importante no mundo fashion, justamente para que o estilista seja capaz de determinar qual arquétipo e quer utilizar como inspiração, sob qual estereotipo ele vai molda-lo e a qual estilo ele vai pertencer. Porém, há que se demandar classe e atitude das modelos que vão desfilar os modelos de uma coleção, pois se elas não incorporarem o “espírito” da mesma, a mensagem do estilista pode se perder em algum ponto da passarela. E “aqui fora”, para nós, reles mortais, também, afirmo, reafirmo e confirmo a necessidade da classe e da atitude, não importando qual seja o seu estilo. Vá buscá-las lá no fundo, no âmago do seu ser, para que você possa fazer com que suas bijoux pareçam jóias em você, e não o contrário.

Afinal, muita coisa pode ser aprendida, como por exemplo as regras de etiqueta, mas classe e atitude são atributos que vêm de dentro de cada pessoa... E ainda bem que é assim, caso contrário, para ser chic bastaria estar bem vestida, penteada e maquiada, o que, como acabamos de ter uma prévia, não é em absoluto verdade.
Um super beijo carinhoso.
Kika Krepski®
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