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segunda-feira, 15 de junho de 2009

SAFARI URBANO: SOLTE SUAS FERAS...


Nesse outono/inverno 2009, a moda dita que as mulheres não deixem por menos, que libertem sua tigresa interior, que saiam pelas ruas virando onça, e apostando para que dê zebra num verdadeiro safari urbano.


That's it girls! Camufladas por estampas de oncinha, tigre e zebra, envolvendo roupas, sapatos e acessórios, vamos invadir as ruas da cidade e fazer as temperaturas da estação subirem nos agitos around the clock.

E temos mais é que aproveitar mesmo, afinal, a última vez em que a padronagem de oncinha esteve em alta, foi há quase uma década atrás, no outono/inverno 2000. Simply Unforgetable... And adorable!

Afinal, Perua que não é fake na peruíce (ou peruagem, como queiram), A M A estampa de onça, por mais que a rotulem de "kitsch".


O que é "kitsch"?

Well dear, "kitsch" é um termo alemão, o qual, traduzido literalmente para o Português, significa BREGA mesmo. Mas o brega copiando o chic (sei que em nossa língua nativa é "chique", mas gosto mais do "chic", ok?) também pode ser chamado de "kitsch", bem como tudo o que for alusivo à cultura popular e cafona se tornando erudita e intelectualizada.

In my opinion, o que acontece nos desfiles de moda, nas apresentações de novas coleções de estilistas outstanding, fazendo o brega virar elegante, o feio ficar bonito e o cafona virar tendência, como explicação do termo "kitsch", pode ser considerado "the best".

Mas "kitsch" ou "chic", chega de divagações, para voltarmos ao nosso tema: As padronagens de onça, tigre e zebra.

Para se ter uma ideia de como essas padronagens estão em alta, ou por que não dizer, nas alturas, a M.A.C lançou no mês passado nos EUA, a "Warrior Style Collection", ou Estilo Guerreiro, onde produtos em cores quentes, vêm em embalagens estampadas em onça ou zebra...


Pois é, até na roupagem dos cosméticos...


But cool off honey, porque não há data prevista para o desembarque dessa feroz coleção aqui no hemisfério sul.




Eu já me garanti e me abasteci com acessórios, sapatos e algumas "pecinhas" felinas; afinal, aqui, abaixo da linha do Equador está frio, e nada melhor para aquecer, do que pele sobre pele... ...mesmo que seja só a estampa.





Abreijões da




Kika Krepski®.




segunda-feira, 8 de junho de 2009

LIPS MIX & REMIX - A SEDUÇÃO DOS BATONS

Pintar os lábios era um hábito cultivado no Egito mil anos antes de Cleópatra. A Rainha Egípcia Nefertiti, cujo busto está no Museu de Berlim, já coloria os lábios, recorrendo a produtos como a púrpura de Tyr.


Já na Grécia, usava-se "polderos", uma raiz vermelha que era misturada à cera de abelha, como meio de deixar a boca mais úmida e brilhante. Em Pisa, na Itália, no Século XVIII, o "Carmin de Cochinella", que era um pigmento vermelho insolúvel (isso mesmo, insolúvel) em água, mas solúvel em substâncias oleaginosas como a já mencionada cera de abelha, foi descoberta por um monge, o qual (às escondidas da Igreja Católica que recriminava tais atos) o repassou às mulheres, que passaram a fazer uso da substância para deixar seus lábios mais sedutores . By the way people, o poder de sedução sempre foi o mais cobiçado pela humanidade.


Os primeiros batons fixados em uma base metálica dourada e protegidos por uma tampa, surgiram nos salões dos Estados Unidos, em 1915. O batom, tal qual o conhecemos hoje, começou a ser comercializado em 1921, em Paris. Com o nome "Ne M'Oubliez Pas", que significa "Não me Esqueça", o batom Guerlain fez tamanho sucesso, que em pouco tempo seu cartucho ganhou rosca e atravessou fronteiras, passando a ser comercializado em outras partes do mundo.



O batom também já foi um divisor de castas, pois nas festas, servia para diferenciar as senhoras da sociedade das camponesas, que eram mulheres mais modestas.




Os batons pretos e marrons, eram exclusividade das atrizes do cinema mudo, em função da necessidade de criar contraste
nos filmes, os quais eram produzidos em preto e branco.

As pioneiras no emprego dos batons vermelhos foram as prostitutas.

Ao lado, a eterna diva Louise Brooks, que inspirou a criação do perfume Lou-lou, de Cacharrel.







Na época da Segunda Guerra Mundial, alguns fabricantes de batons, apenas recarregavam as embalagens vazias, vez que o metal estava sendo utilizado pela indústria bélica.







A verdadeira popularização do batom, que passou então a ser usado por mulheres de todas as classes sociais, se deu a partir dos meados da década de 1950.




Dentro da evolução desse cosmético, que 99,9% das mulheres têm como indispensável, vale ressaltar que o batom em formato cilíndrico, é um dos muitos legados de mademoiselle Coco Chanel, e o batom em forma de lápis foi apresentado por Mary Quant, fatos que denotam o quanto os laços entre moda e maquiagem foram sendo cada vez mais estreitados.




Desde o seu surgimento, até os dias de hoje, as tendências de cores, bem como de desenhos de lábios obtidos através da forma de aplicação do batom, tem variado conforme os modismos de cada época.




Veja a seguir, um breve resumo de como se desenrolaram e quais foram esses modismos:





ANOS 20: Podendo gozar abertamente do batom, as mulheres pintavam os lábios em forma de coração, e os cantos da boca, em forma delgada.

Os tons que marcavam a tendência eram os escuros, como o vermelho escuro-mate.

A moda era ditada no cinema por Clara Bow e Theda Bara.



ANOS 30: A boca nesse período, passa a ser vestida por tonalidades mais claras, pálidas e translúcidas. Arredondar o lábio inferior, uma forma feminina, mas com "ar artificial", é o must da época.


O lápis para o contorno dos lábios é uma invenção desse período.

Os ícones cinematográficos eram Greta Garbo e Marlene Dietrich.




ANOS 40: O lábio superior era pintado simetricamente, com duas curvas, e tinha um ar elegante.


A tendência principal era a cor de cinabre.


A Diva hollywoodiana da época, era Rita Hayworth, seguida por Debora Kerr.





Negrito

ANOS 50: O glamour e as formas sedutoras dominavam a moda. Os cantos da boca eram pintados longitudinalmente, e o contorno dos lábios, embora suave, era pintado um pouco maior do que os próprios lábios


Marylin Monroe e tom fuchsia, marcaram esse período,





ANOS 60: Nesse período houve uma enorme revolução nas cores dos batons, com o surgimento dos tons de rosa muito claros, e do bege pérola.

A esquálida modelo Twiggy foi figura central da tendência: Pintava os lábios, de forma a ficarem com um ar coquete e cheio.




ANOS 70: Na segunda metade dos anos 70, as discotecas atingiram seu apogeu, trazendo tons de roxo e preto para os batons, bem como o gloss, que se usava em cima dos lábios pintados, ou diretamente sobre eles. A forma preferida eram os batons com muita espessura, e com os contornos claramente visíveis.

Sonia Braga foi a maior representante da época, ao protagonizar a telenovela "Dancing Days".







ANOS 80: A cartela de cores foi bastante ampliada, usava-se o rosa, o castanho, e o vermelho amora (um pouco azulado).

Na altura em que a expressão " career woman" começou a fixar-se, o vermelho tornou-se moda por sua forte impressão, ao mesmo tempo em que os batons em tons de pérola eram muito elogiados.






ANOS 90: Diversidade é a palavra para se descrever essa década, e ninguém melhor para representá-la do que a camaleônica diva Madonna.

O ciclos tornaram-se mais curtos, dando vez alternadamente aos batons vermelho escuros, e às cores de fundo bege e cor-de-boca para dar um acabamento natural.


Já no século XXI, existe uma diversificadíssima e ampla gama de maquiagens para os lábios, com diferentes formas de aplicação. E, em algumas épocas, o batom em gloss teve um impacto tão forte, que chegou a conseguir a façanha de empurrar o batom clássico para o segundo lugar do pódio, sendo que algumas mulheres, chegaram mesmo a deixar de utilizá-lo.

Todavia, nas coleções para o Outono-Inverno 2008/200, os batons cor de vinho e os pretos são o must have da estação, tanto em textura mate e opaca, quanto com muito brilho, em especial os metalizados, focando os holofotes nas nuances mescladas com o dourado. É a inspiração trazida nos desfiles de estilistas como Yves Saint Laurent, ancorada em divas do cinema como Louise Books, Veronica Lake e Rita Hayworth, numa nova interpretação do gótico-chic, verdadeira explosão de força, sensualidade e poder, sem regras rígidas que nos impeçam de pintar nossos lábios como bem desejarmos.



Sem dúvida alguma, no que diz respeito aos batons, essa será a estação da irreverência, pois o diamante pode até ser o melhor amigo de uma mulher,

mas com certeza, independentemente da cor, feitio ou textura, o batom sempre será seu grande e verdadeiro ícone de sedução!

Abreijões coloridos da

Kika Krepski®.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ENTRE- SAFRA DE MEIA-ESTAÇÃO

Atmosfera de transição, entrando pelas portas de setembro, ansiedade pelas chuvas primaveris, veranicos fazendo os corpos suarem... Atmosfera de mudança de estação dear, uh-lah-lah!


E já dá para sentir o gostinho de exuberância e alegria do início da Primavera-Verão 2008/2009, mesmo porque ainda estamos curtindo a ressaca de uma verdadeira maratona fashion no circuito Rio/São Paulo, recheada de desfiles com looks incríveis, e presenças marcantes como a do fantástico estilista Kenzo Takada, que amo de paixão.

Entre-safra de meia-estação.


Depois de tanta coisa, é preciso fazer um balanço, para checar o saldo do que poderá ser bem utilizado por nós, reles mortais (adoro um drama).



People, no momento, cultura é super fashion! Basta observar como o jeito Simone de Beauvoir e Agatha Christie de ser, estão invadindo o mundo da moda, que está fechando em alta para os seguintes investimentos: jabôs de collete, terninhos, fraques, saias de tweed (acima dos joelhos, ok?), boinas, e tailleurs Chanel absolutamente clássicos. Os pretinhos espirituosos também continuam com a cotação em alta, sozinhos ou com misturas descontraídas, valendo até mesmo, os até então saudosos, pulôveres acrílicos.

Para que seu antenadíssimo guarda-roupa não fique démodé, invista também em acessórios, no melhor estilo literário: echarpes drapeadas inspiradas no estilo Maguerite Yourcenar, e chapeuzinho tipo Amelie Notomb.

Se você curte listras, opte pelo estilo londrino “club”, e se preferir os xadrezes, o must do momento é o estilo escocês, entrelaçando tons de azul e madeira escura que se sobrepõem nas vitrines mais badaladas.

As armações de óculos também acompanham o estilo escritor, fazendo até um recall de Clark Kent trabalhando na redação do Planeta Diário. O visual andrógino é dominante.


A paleta de cinzas predomina, tanto nos tweeds literários, quanto na inocência estudantil, formada por saias pregueadas e de cintura marcada, usadas com blazers estilo colegial, que permitem entrever os coletes de Dândis, usados com calças amplas e de cintura alta e marcada, que ainda trazem generosas pregas.


Nos looks mais femininos, adote os eternos scarpins-curingas de salto 5 ou 7; e nos andróginos, as estrelas são as ankle-boots, com saltos muito altos, muito finos e muito femininos para criar o contra-senso.



Mas Barbara Cartland, em seus vestidos leves em tons de rosa, nada eruditos, também faz parte desse time, trazendo sua feminilidade e leveza, em uma cartela de tons pastel, ou ainda em uma releitura das estampas florais clássicas.


Pois é, se você não gosta de ler e/ou escrever, vai agora AMAR homenagear a categoria...

Welcome to the club, dear!

Abreijões da

Kika Krepski®




quinta-feira, 28 de agosto de 2008

ARQUÉTIPOS, ESTEREÓTIPOS E ESTILOS

Gostaram do título? Acharam sugestivo? E também familiar? Bem, familiar estou certa de que todos acharam, afinal de contas são substantivos utilizados em larga escala nos dias de hoje. Só não tenho muita certeza, se todos aqueles que lerem este artigo ainda se lembrarão do significado de cada um deles, mas estou totalmente certa de que todos sabem que os três termos se referem, a como algo ou alguém parece ser, ou seja, que todos estão ligados à apresentação, representação e aspecto. Mas como já diziam antigamente, “aquilo que abunda não prejudica”, e para isso acho que vale a pena fazermos um “refresh” de cada um deles:


ARQUÉTIPO OU FIGURA ARQUETÍPICA: É um modelo, um padrão, um protótipo, um exemplar de seres criados, que o psicólogo e psicanalista Carl Gustav Jung, definiu como sendo imagens psíquicas do inconsciente coletivo, e que são patrimônio comum a toda a humanidade, passível de acesso, para que se faça uma obra material e/ou intelectual. Bons exemplos de figuras arquetípicas são o anjo e o demônio. Qualquer pessoa a quem perguntarmos saberá dizer o que um anjo e um demônio, e apesar de nunca tê-los visto pessoalmente e materializados, (assim espero) poderá descrevê-los com detalhes, os quais sofrerão variações insignificantes, se comparadas com descrições fornecidas por outras pessoas, às quais se questionou o mesmo. Na campanha publicitária do perfume Ange ou Demon, de Givanchy, foi utilizada a cor banca na representação da figura arquetípica do anjo, que aparece simbolizando a delicadeza, a beleza e a doçura da mulher, contratando com a cor negra, na representação do arquétipo do demônio, o qual evoca a volúpia, a sensualidade e a luxúria dessa mesma mulher. Já a Maison Dior, investiu na figura arquetípica de uma Cinderela moderna e sensual na campanha de lançamento do perfume Midnight Poison, onde a bela figura enverga um vestido de baile num tom de azul profundo, ou seja, criou-se o contraste entre na fantasia e o sonho (Cinderela), com o mistério e a sensualidade (azul profundo do vestido com cauda e muitas camadas de tecidos sobrepostas, ombros nus, cabelo negro, pela muito clara e batom vermelho intenso). Confiram nos respectivos vídeos publicitários:

http://www.youtube.com/watch?v=NPTswZP-Avc

http://www.youtube.com/watch?v=TRsEIiqSxoQ



ESTEREÓTIPO: é uma caracterização simbólica e esquemática de pessoas ou grupos, cujo comportamento se adaptas às expectativas e julgamentos sociais de rotina, quer dizer, é um conceito padronizado sobre pessoas, povos, raças, escolas de arte, ideologias “and so on”, que serve de base para a formação de preconceitos (pré + conceito = idéia previamente concebida, formada). Temos como exemplos comuns, os góticos, as Patricinhas e Mauricinhos, os Metaleiros, as Peruas (minha tribo), e por aí vai.


ESTILO: Este é um conceito com um enorme leque de ramificações, muito abrangente mesmo, envolvendo inúmeras áreas de nossas vidas. Mas, como aqui nosso foco é moda, estética, etiqueta e afins, vou me ater ao significado de estilo, dentro de nossa área, ou seja, estilo é um conjunto de caracteres formais, estéticos de alguma coisa, o conjunto dos gostos, da maneira de ser de alguém, maneira pessoal de se vestir, de se pentear de se comportar e por esse rumo segue. Resumindo, é a qualidade de alguém ou de alguma coisa, que apresenta características estéticas originais, as quais culminam por se transformar em ponto de referência.



Uma mulher pode adotar o estilo clássico romântico, dentro do qual sua característica pessoal predominante, seja o uso de taillers em tons pastel, o que a coloca dentro do estereótipo das “socialites”, e traz a tona a figura arquetípica da mulher bem-sucedida e independente.

Viram só como é simples? Não existe antagonismo no entrelaçamento dos três conceitos, que dessa forma se tornam uma obra única dentro de uma mesma tribo. Assim sendo, tudo o que se cria em moda, já estava pré-moldado de forma abstrata no inconsciente coletivo, faltando apenas se acessado e materializado. Embora pareça absurdamente simples, é justamente nessa etapa, que dois quesitos que não podem ser comprados, vendidos, alugados ou emprestados, nem tão pouco aprendidos, são fundamentais: Criatividade e Bom Gosto (é bom ressaltar que existem peças criativas de mal gosto, mas até elas, demandam criatividade para sua concretização). Bagagem cultural também é muito importante no mundo fashion, justamente para que o estilista seja capaz de determinar qual arquétipo e quer utilizar como inspiração, sob qual estereotipo ele vai molda-lo e a qual estilo ele vai pertencer. Porém, há que se demandar classe e atitude das modelos que vão desfilar os modelos de uma coleção, pois se elas não incorporarem o “espírito” da mesma, a mensagem do estilista pode se perder em algum ponto da passarela. E “aqui fora”, para nós, reles mortais, também, afirmo, reafirmo e confirmo a necessidade da classe e da atitude, não importando qual seja o seu estilo. Vá buscá-las lá no fundo, no âmago do seu ser, para que você possa fazer com que suas bijoux pareçam jóias em você, e não o contrário.



Afinal, muita coisa pode ser aprendida, como por exemplo as regras de etiqueta, mas classe e atitude são atributos que vêm de dentro de cada pessoa... E ainda bem que é assim, caso contrário, para ser chic bastaria estar bem vestida, penteada e maquiada, o que, como acabamos de ter uma prévia, não é em absoluto verdade.








Um super beijo carinhoso.

Kika Krepski®